Estando João como estudante no Castelnuovo, teve relações de amizade com um jovem chamado José Turco, que o pôs em contato com sua família. Esta possuía uma vinha situada em uma paragem denominada Renenta, próxima à aldeiola do Susambrino. À dita vinha costumava ir João com freqüência, por ser lugar afastado do caminho que atravessava o vale e, portanto, mais tranqüilo. De um morro podia dar-se conta de quem entrava na vinha dos Turco, e, sem ser visto, defendia as uvas contra qualquer agressão, sem deixar por isso os seus livros.
O pai do José Turco, que professava grande estima ao amigo de seu filho, encontrando-se em certa ocasião com o João, disse-lhe enquanto lhe punha uma mão sobre a cabeça:
—Animo, Joãozinho, sei bom e estudioso e verás como a Virgem te protege.
—Nela pus toda minha confiança —replicou o moço— ; mas me assaltam freqüentes dúvidas. Desejaria seguir os cursos de latim e me fazer sacerdote, mas minha mãe não tem meios para me ajudar.
—Não tema, moço, já verá como o Senhor te aplaina o caminho.
—Assim o espero —concluiu João—. E despedindo-se de seu interlocutor foi ocupar seu posto, em atitude pensativa, enquanto ia repetindo:
—Quem sabe se...?
Mas hei aqui que alguns dias depois, o senhor Turco e seu filhinho viram o João atravessar a vinha e vir alegre e pressuroso ao encontro de ambos dando visíveis mostras de satisfação.
—Que novidades há?, —pergunto-lhe o proprietário—; pois você está tão alegre, e faz alguns dias você se mostrava tão preocupado.
—Boas notícias! Boas notícias!, —exclamou João—.
—Esta noite tive um sonho, segundo o qual continuarei meus estudos, chegarei a ser sacerdote e me porei à frente de numerosos meninos, me dedicando à educação dos mesmos durante toda a vida.
—Assim que tudo está arrumado e logo serei sacerdote.
—Mas, isso não é mais que um sonho —observou o senhor Turco— e já sabes que do dito ao feito há um grande trecho.
—Oh! O resto não me interessa. Sim; —concluiu João—, serei sacerdote; por-me-ei à frente de muitíssimos jovens, e lhes farei muito bem.
E assim dizendo, muito contente, dirigiu-se a ocupar seu posto de vigia.
Na manhã seguinte, ao retornar da paróquia, onde tinha ouvido a Missa, foi visitar a família de Turco; e a senhora Luzia, chamando a seus irmãos, com os quais João estava acostumado a falar freqüentemente, perguntou ao moço sobre o motivo da alegria que lhe refletia no semblante. João então assegurou a seus ouvintes que tinha tido um formoso sonho. Como lhe pedissem que o contasse disse:
Que tinha visto vir para si a uma majestosa Senhora que conduzia um rebanho muito numeroso e que se aproximando dele o chamou pelo seu nome, e lhe disse:
—Joãozinho, aqui tens este rebanho; a teus cuidados Eu os confio.
—E como farei eu para guardar e cuidar tantas ovelhas e tantos cordeirinhos? Onde encontrarei pastos suficientes?
A Senhora lhe respondeu:
—Não temas; Eu estarei contigo.
E desapareceu.
Dom João Batista Lemoyne, biógrafo de São João Bosco, escreve nas Memórias: "Esta narração a ouvimos de lábios do senhor Turco" e está perfeitamente de acordo com a seguinte declaração consignada por Dom Bosco nas Memórias do Oratório:
"Aos dezesseis anos tive outro sonho".
(M. B. Tomo I, págs. 243-244.—M. O. Década 1, pág. 4.)
sábado, 15 de agosto de 2009
Enfermidade de Antonio Bosco — 1832
Numa ocasião Dom Bosco sonhou que seu irmão Antonio, enquanto fazia o pão em casa da senhora Damevino, próxima à sua, foi assaltado pela febre, e que havendo-o encontrado no caminho e ao lhe perguntar sobre o particular, havia-lhe dito:
—Faz um momento começou a me dar febre; não posso me manter em pé. Terei que ir à cama.
Ao dia seguinte contou este sonho a seus companheiros, que exclamaram:
—Pode ter a segurança de que aconteceu como nos referiste.
E assim foi, em efeito. Na tarde seguinte chegou ao Chieri o irmão José, ao qual perguntou João imediatamente:
—E Antonio, está melhor?
José, maravilhado daquela pergunta, replicou:
—Mas você sabia que ele estava doente?
—Sim, que sabia —respondeu João.
—Acredito que não é coisa de importância —continuou José—. Ontem começou a ter um pouco de febre enquanto fazia o pão em casa da senhora Damevino; mas já está melhor.
Fazemos notar como neste evento o Santo de Deus põe de manifesto os sentimentos mais íntimos de seu coração.
(M. B. Tomo I, pág. 269)
—Faz um momento começou a me dar febre; não posso me manter em pé. Terei que ir à cama.
Ao dia seguinte contou este sonho a seus companheiros, que exclamaram:
—Pode ter a segurança de que aconteceu como nos referiste.
E assim foi, em efeito. Na tarde seguinte chegou ao Chieri o irmão José, ao qual perguntou João imediatamente:
—E Antonio, está melhor?
José, maravilhado daquela pergunta, replicou:
—Mas você sabia que ele estava doente?
—Sim, que sabia —respondeu João.
—Acredito que não é coisa de importância —continuou José—. Ontem começou a ter um pouco de febre enquanto fazia o pão em casa da senhora Damevino; mas já está melhor.
Fazemos notar como neste evento o Santo de Deus põe de manifesto os sentimentos mais íntimos de seu coração.
(M. B. Tomo I, pág. 269)
A Pastora e o rebanho —1844
Conta Dom Bosco em suas Memórias:
"O segundo domingo de outubro daquele ano de 1884, tinha que comunicar a meus moços que o Oratório tinha que ser transladado ao Valdocco. Mas a incerteza do lugar, das pessoas, dos meios com que tinha que contar me tinham bastante preocupado. Na noite precedente fui descansar com o coração cheio de inquietação. Durante toda ela tive um sonho que me pareceu como um apêndice de que tive pela primeira vez em Becchi quando tinha nove anos. Meu desejo é expô-lo aqui literalmente".
"Sonhei que me encontrava em meio de uma grande quantidade de lobos, de cabras, cabritos, cordeiros, ovelhas, cavalos, pássaros, cães... Todos ao mesmo tempo faziam um ruído, um estrépito, ou melhor dizendo, um estrondo diabólico, capaz de infundir espanto ao mais corajoso. Eu quis fugir, quando uma Senhora, admiravelmente vestida de Pastora, indicou-me que seguisse e acompanhasse a aquela estranha grei, enquanto Ela ia diante. Andamos vagando de um lugar a outro: fizemos três estações ou paradas; em cada uma delas muitos daqueles animais se permutavam em cordeiros, cujo número ia progressivamente em aumento. Depois de ter caminhado muito, encontrei-me em um prado, no que aquelas bestas começaram a provocar desordem e a comer ao mesmo tempo, sem que as umas incomodassem às outras.
Afligido pelo cansaço, quis me sentar ao bordo de um caminho próximo, mas a Pastora me convidou a que prosseguisse adiante. Depois de percorrer um breve espaço de terreno, encontrei-me em um amplo pátio com um pórtico ao redor, em cujo extremo havia uma igreja. Então me dava conta de que as quatro quintas partes daqueles animais se converteram em cordeiros. Seu número aumentou. Naquele momento chegaram alguns pastores para custodiá-los, mas depois de deter-se um pouco, partiram. Depois aconteceu algo maravilhoso. Muitos cordeiros se permutavam em pastores, que, ao crescer em número, cuidavam de outros. Ao aumentar tão grandemente o número dos pastores, dividiram-se em grupos e partiram a diversos lugares, para reunir a outros animais estranhos e guiá-los a distintos redis.
Eu quis partir porque me parecia que era a hora de celebrar a Santa Missa, mas a Pastora me convidou a dirigir o olhar ao meio dia. Então vi um campo semeado de milho, batatas, repolhos, beterrabas, alfaces e outras hortaliças.
—Olhe outra vez, — disse-me a Pastora.
E ao dirigir minha vista a aquele mesmo lugar, vi uma magnífica igreja.
Uma orquestra e uma banda de música instrumental e um agrupamento coral me convidaram a cantar a Missa. No interior daquela igreja se via uma franja branca, na qual se lia escrito com caracteres cubitais: Hic domus mea, inde glorifica mea.
Continuando o sonho, quis perguntar à Pastora onde me encontrava; o que significavam aquela caminhada, as paradas, a casa, a primeira igreja e a segunda.
—Tudo o compreenderás —me disse— quando com os olhos materiais vejas quanto pudeste apreciar com os olhos da mente.
Mas, me parecendo que estava acordado, disse-lhe:
—Eu o vejo tudo claramente com meus olhos materiais; sei aonde vou e o que faço.
Naquele momento soou o sino do Ângelus da igreja de São Francisco de Assis e despertei.
Este sonho me ocupou quase toda a noite; vi durante ele outros muitos detalhes. Então compreendi pouco de seu significado, pois, desconfiando de mim dava pouco crédito a quanto tinha visto; mas tudo o fui compreendendo quando se impôs a realidade dos fatos.
As três paradas indicadas neste sonho representam o traslado do Oratório ao Refúgio da Marquesa Barolo, onde se instalou a primeira capela dedicada a São Francisco de Sales; a marcha deste lugar a São Martín dos Moinhos Dora e, por último, a ida à Casa Moretta, alugada por São João Bosco em novembro do 1845 e ocupada até a primavera do ano seguinte.
O pátio com seus pórticos e com a igreja que viu no sonho, são os do Oratório instalado já definitivamente no abrigo Pinardi; referimos-nos à primeira igreja contemplada na visão.
A segunda igreja, à qual qualifica de magnífica, não é outra que a de São Francisco de Sales, consagrada em 20 de junho de 1852.
A frase latina que aparece no sonho foi vista por São João Bosco em três ocasiões e formas distintas.
A primeira na "magnífica igreja" do sonho que acabamos de narrar em que pôde ver escrito em caracteres cubitais «HlC DOMUS MEA, INDE GLORIFICA MEA». A segunda vez lhe pareceu contemplar um mote parecido na Capela Pinardi: «HAEC EST DOMUS MEA, INDE GLORIFICA MEA". A terceira vez leu na fachada de uma casa capaz para dar acolhida a várias centenas de jovenzinhos, casa que ainda não existia: «HlC NOMEN MEUM, HINC INDE EXIBIT GLORIFICA MEA».
(Tomo II, págs. 243-245. —M. O. Déc. II, págs. 134-136)
"O segundo domingo de outubro daquele ano de 1884, tinha que comunicar a meus moços que o Oratório tinha que ser transladado ao Valdocco. Mas a incerteza do lugar, das pessoas, dos meios com que tinha que contar me tinham bastante preocupado. Na noite precedente fui descansar com o coração cheio de inquietação. Durante toda ela tive um sonho que me pareceu como um apêndice de que tive pela primeira vez em Becchi quando tinha nove anos. Meu desejo é expô-lo aqui literalmente".
"Sonhei que me encontrava em meio de uma grande quantidade de lobos, de cabras, cabritos, cordeiros, ovelhas, cavalos, pássaros, cães... Todos ao mesmo tempo faziam um ruído, um estrépito, ou melhor dizendo, um estrondo diabólico, capaz de infundir espanto ao mais corajoso. Eu quis fugir, quando uma Senhora, admiravelmente vestida de Pastora, indicou-me que seguisse e acompanhasse a aquela estranha grei, enquanto Ela ia diante. Andamos vagando de um lugar a outro: fizemos três estações ou paradas; em cada uma delas muitos daqueles animais se permutavam em cordeiros, cujo número ia progressivamente em aumento. Depois de ter caminhado muito, encontrei-me em um prado, no que aquelas bestas começaram a provocar desordem e a comer ao mesmo tempo, sem que as umas incomodassem às outras.
Afligido pelo cansaço, quis me sentar ao bordo de um caminho próximo, mas a Pastora me convidou a que prosseguisse adiante. Depois de percorrer um breve espaço de terreno, encontrei-me em um amplo pátio com um pórtico ao redor, em cujo extremo havia uma igreja. Então me dava conta de que as quatro quintas partes daqueles animais se converteram em cordeiros. Seu número aumentou. Naquele momento chegaram alguns pastores para custodiá-los, mas depois de deter-se um pouco, partiram. Depois aconteceu algo maravilhoso. Muitos cordeiros se permutavam em pastores, que, ao crescer em número, cuidavam de outros. Ao aumentar tão grandemente o número dos pastores, dividiram-se em grupos e partiram a diversos lugares, para reunir a outros animais estranhos e guiá-los a distintos redis.
Eu quis partir porque me parecia que era a hora de celebrar a Santa Missa, mas a Pastora me convidou a dirigir o olhar ao meio dia. Então vi um campo semeado de milho, batatas, repolhos, beterrabas, alfaces e outras hortaliças.
—Olhe outra vez, — disse-me a Pastora.
E ao dirigir minha vista a aquele mesmo lugar, vi uma magnífica igreja.
Uma orquestra e uma banda de música instrumental e um agrupamento coral me convidaram a cantar a Missa. No interior daquela igreja se via uma franja branca, na qual se lia escrito com caracteres cubitais: Hic domus mea, inde glorifica mea.
Continuando o sonho, quis perguntar à Pastora onde me encontrava; o que significavam aquela caminhada, as paradas, a casa, a primeira igreja e a segunda.
—Tudo o compreenderás —me disse— quando com os olhos materiais vejas quanto pudeste apreciar com os olhos da mente.
Mas, me parecendo que estava acordado, disse-lhe:
—Eu o vejo tudo claramente com meus olhos materiais; sei aonde vou e o que faço.
Naquele momento soou o sino do Ângelus da igreja de São Francisco de Assis e despertei.
Este sonho me ocupou quase toda a noite; vi durante ele outros muitos detalhes. Então compreendi pouco de seu significado, pois, desconfiando de mim dava pouco crédito a quanto tinha visto; mas tudo o fui compreendendo quando se impôs a realidade dos fatos.
As três paradas indicadas neste sonho representam o traslado do Oratório ao Refúgio da Marquesa Barolo, onde se instalou a primeira capela dedicada a São Francisco de Sales; a marcha deste lugar a São Martín dos Moinhos Dora e, por último, a ida à Casa Moretta, alugada por São João Bosco em novembro do 1845 e ocupada até a primavera do ano seguinte.
O pátio com seus pórticos e com a igreja que viu no sonho, são os do Oratório instalado já definitivamente no abrigo Pinardi; referimos-nos à primeira igreja contemplada na visão.
A segunda igreja, à qual qualifica de magnífica, não é outra que a de São Francisco de Sales, consagrada em 20 de junho de 1852.
A frase latina que aparece no sonho foi vista por São João Bosco em três ocasiões e formas distintas.
A primeira na "magnífica igreja" do sonho que acabamos de narrar em que pôde ver escrito em caracteres cubitais «HlC DOMUS MEA, INDE GLORIFICA MEA». A segunda vez lhe pareceu contemplar um mote parecido na Capela Pinardi: «HAEC EST DOMUS MEA, INDE GLORIFICA MEA". A terceira vez leu na fachada de uma casa capaz para dar acolhida a várias centenas de jovenzinhos, casa que ainda não existia: «HlC NOMEN MEUM, HINC INDE EXIBIT GLORIFICA MEA».
(Tomo II, págs. 243-245. —M. O. Déc. II, págs. 134-136)
O trabalho escolar —1831
Durante seus quatro anos de estudante no Chieri, João deu amostras de que, além de sua prodigiosa memória e de seu engenho, ajudava-lhe em seus estudos alguma outra secreta virtude. Tal é a opinião de muitos de seus antigos condiscípulos que deram fé do fato seguinte:
Uma noite sonhou que o professor tinha escolhido o tema para determinar os postos de mérito da classe e que ele estava fazendo-o.
Apenas despertou, saltou do leito e escreveu o trabalho escolhido, que era um ditado em língua latina; depois, começou a traduzi-lo, fazendo-se ajudar de um sacerdote amigo dele. Na manhã seguinte o professor ditou o tema na classe para assinalar a ordem de mérito entre os alunos, trabalho que era exatamente o mesmo com que João tinha sonhado; de forma que, sem necessidade do dicionário e em muito breve tempo, escreveu-o imediatamente tal como recordava havê-lo feito no sonho, com as oportunas correções que lhe fizesse o amigo, conseguindo um completo êxito. Interrogado pelo professor, expôs ingenuamente o acontecido, causando em este verdadeira admiração.
Em outra ocasião João entregou a página de seu trabalho tão logo, que ao professor não lhe parecia possível que tivesse podido superar, em tão breve tempo, tantas, dificuldades de ordem gramatical; por isso leu atentamente o tema que João lhe tinha entregado. Duvidando da origem daquele trabalho, pediu-lhe que lhe apresentasse o rascunho. João obedeceu causando novo estupor no professor. Este tinha preparado o tema na tarde anterior e como o considerasse muito comprido, tinha ditado aos alunos somente a metade. No caderno do João o encontra completo; nenhuma sílaba mais, nenhuma sílaba menos. Como se podia explicar aquele fenômeno? Não era possível que em tão pouco tempo o aluno tivesse copiado o original, nem que tivesse estado na sua habitação, pois a pensão em que se hospedava João estava muito longe da casa do professor. Portanto? Bosco pôs as coisas em claro:
—tive um sonho no qual vi o tema.
Por este e por outros acontecimentos semelhantes, os companheiros da pensão lhe chamavam o sonhador.
(M. B. Tomo I, pág. 253)
Uma noite sonhou que o professor tinha escolhido o tema para determinar os postos de mérito da classe e que ele estava fazendo-o.
Apenas despertou, saltou do leito e escreveu o trabalho escolhido, que era um ditado em língua latina; depois, começou a traduzi-lo, fazendo-se ajudar de um sacerdote amigo dele. Na manhã seguinte o professor ditou o tema na classe para assinalar a ordem de mérito entre os alunos, trabalho que era exatamente o mesmo com que João tinha sonhado; de forma que, sem necessidade do dicionário e em muito breve tempo, escreveu-o imediatamente tal como recordava havê-lo feito no sonho, com as oportunas correções que lhe fizesse o amigo, conseguindo um completo êxito. Interrogado pelo professor, expôs ingenuamente o acontecido, causando em este verdadeira admiração.
Em outra ocasião João entregou a página de seu trabalho tão logo, que ao professor não lhe parecia possível que tivesse podido superar, em tão breve tempo, tantas, dificuldades de ordem gramatical; por isso leu atentamente o tema que João lhe tinha entregado. Duvidando da origem daquele trabalho, pediu-lhe que lhe apresentasse o rascunho. João obedeceu causando novo estupor no professor. Este tinha preparado o tema na tarde anterior e como o considerasse muito comprido, tinha ditado aos alunos somente a metade. No caderno do João o encontra completo; nenhuma sílaba mais, nenhuma sílaba menos. Como se podia explicar aquele fenômeno? Não era possível que em tão pouco tempo o aluno tivesse copiado o original, nem que tivesse estado na sua habitação, pois a pensão em que se hospedava João estava muito longe da casa do professor. Portanto? Bosco pôs as coisas em claro:
—tive um sonho no qual vi o tema.
Por este e por outros acontecimentos semelhantes, os companheiros da pensão lhe chamavam o sonhador.
(M. B. Tomo I, pág. 253)
Sobre e eleição de estado —1834
Aproximava-se o final do Curso de humanidades 1833-34, época em que os estudantes que terminam ditos estudos pensam sobre o rumo de sua vocação.
"O sonho do Murialdo —escreve Dom Bosco em suas Memórias— perdurava gravado em minha mente, de tal maneira que a visão do mesmo se renovava em mim, cada vez com maior claridade. Portanto, se queria lhe emprestar fé, devia escolher o estado eclesiástico, pelo qual sentia verdadeira inclinação; mas ao me encontrar falto das virtudes necessárias, minha decisão se fazia difícil e duvidosa. Oh, se tivesse tido então um guia que cuidasse de minha vocação! Dispunha de um confessor que queria fazer de mim um bom cristão, mas nunca quis mesclar-se nos assuntos de minha vocação.
Consultando comigo mesmo e depois de ler algum livro que tratava sobre a eleição de estado, decidi-me a entrar na Ordem Franciscana. Se me fizer clérigo secular —me dizia a mim mesmo— minha vocação corre grande risco de naufrágio. Abraçarei o estado religioso, renunciarei ao mundo, entrarei em um claustro, entregar-me-ei ao estudo, à meditação e no retiro poderei combater as paixões, especialmente a soberba, que tinha jogado fundas raízes em meu coração. Fiz, portanto, a petição ao Convento de Reformados; fiz a prova; fui aceito, ficando tudo preparado para meu ingresso no Convento de La Paz, em Chieri.
"Poucos dias antes da data estabelecida para minha entrada, tive um sonho muito estranho".
Pareceu-me ver uma multidão de religiosos de dita Ordem com os hábitos sujos e rasgados, correndo em sentido contrário uns dos outros. Um deles se aproximou de mim para me dizer:
—Você procura a paz e aqui não encontrasse a paz. Já vê a situação de seus irmãos. Deus te tem preparado outro lugar e outra colheita.
Quis fazer algumas pergunta a aquele religioso, mas um ruído despertou-me e não voltei a ver coisa alguma.
Expus tudo a meu diretor que não quis ouvir falar nem de sonhos nem de frades:
—Neste assunto —me disse— é necessário que cada um siga suas inclinações e não os conselhos de outros.
Tal é a versão do texto das Memórias de Dom Bosco.
Dom Lemoyne se expressa nestes términos nas Memórias Biográficas ao relatar o mesmo sonho:
"Aproximando-a festa de Páscoa, contava o mesmo Dom Bosco, que naquele ano de 1834 caiu em 30 de março, fiz a petição para ser admitido entre os Franciscanos Reformados. Enquanto aguardava a resposta e sem ter manifestado a ninguém meus propósitos, eis que um bom dia se me apresenta um companheiro chamado Eugenio Balanço, com o qual tinha pouca familiaridade e me pergunta:
—O que, decidiste ser franciscano?
Olhei-o maravilhado e lhe disse:
—Quem te há dito isso?
E me ensinando uma carta, replicou:
—Comunicam-me que lhe aguardam em Turim para render prova junto comigo, pois eu também decidi abraçar o estado religioso nesta Ordem.
Fui pois, ao Convento de Santa Maria dos Anjos, em Turim; fiz o exame e fui aceito a partir da metade de abril, ficando tudo preparado para ingressar no Convento de La Paz, de Chieri. "Mas pouco antes da data assinalada para meu ingresso em dito Convento, tive um sonho muito estranho".
E a seguir segue o relato do mesmo tal e como o consignamos anteriormente, traduzido das Memórias pessoais de Dom Bosco.
Os Pais Franciscanos conservam um certificado relacionado com este fato que diz assim:
"Anno 1834 receptus fuit in conventu S. Mariae Angelorum Ord. Reformat. S. Francisci, juvenis Joannes Bosco, ao Castronovo, natus die 17 augusti 1815, baptizatus, et confirmatus. Habet requisita et vota omnia.—Die 18 aprilis.
ex-livro II, in quo describuntur juvenes postulantes ad Ordinem acceptati et aprobati ab anno 1638 ad annum 1838. Pai Constantino da Valcamonica".
(M. B. Tomo I, págs. 301-302. —M. O. Década 1,14; págs. 79-81)
"O sonho do Murialdo —escreve Dom Bosco em suas Memórias— perdurava gravado em minha mente, de tal maneira que a visão do mesmo se renovava em mim, cada vez com maior claridade. Portanto, se queria lhe emprestar fé, devia escolher o estado eclesiástico, pelo qual sentia verdadeira inclinação; mas ao me encontrar falto das virtudes necessárias, minha decisão se fazia difícil e duvidosa. Oh, se tivesse tido então um guia que cuidasse de minha vocação! Dispunha de um confessor que queria fazer de mim um bom cristão, mas nunca quis mesclar-se nos assuntos de minha vocação.
Consultando comigo mesmo e depois de ler algum livro que tratava sobre a eleição de estado, decidi-me a entrar na Ordem Franciscana. Se me fizer clérigo secular —me dizia a mim mesmo— minha vocação corre grande risco de naufrágio. Abraçarei o estado religioso, renunciarei ao mundo, entrarei em um claustro, entregar-me-ei ao estudo, à meditação e no retiro poderei combater as paixões, especialmente a soberba, que tinha jogado fundas raízes em meu coração. Fiz, portanto, a petição ao Convento de Reformados; fiz a prova; fui aceito, ficando tudo preparado para meu ingresso no Convento de La Paz, em Chieri.
"Poucos dias antes da data estabelecida para minha entrada, tive um sonho muito estranho".
Pareceu-me ver uma multidão de religiosos de dita Ordem com os hábitos sujos e rasgados, correndo em sentido contrário uns dos outros. Um deles se aproximou de mim para me dizer:
—Você procura a paz e aqui não encontrasse a paz. Já vê a situação de seus irmãos. Deus te tem preparado outro lugar e outra colheita.
Quis fazer algumas pergunta a aquele religioso, mas um ruído despertou-me e não voltei a ver coisa alguma.
Expus tudo a meu diretor que não quis ouvir falar nem de sonhos nem de frades:
—Neste assunto —me disse— é necessário que cada um siga suas inclinações e não os conselhos de outros.
Tal é a versão do texto das Memórias de Dom Bosco.
Dom Lemoyne se expressa nestes términos nas Memórias Biográficas ao relatar o mesmo sonho:
"Aproximando-a festa de Páscoa, contava o mesmo Dom Bosco, que naquele ano de 1834 caiu em 30 de março, fiz a petição para ser admitido entre os Franciscanos Reformados. Enquanto aguardava a resposta e sem ter manifestado a ninguém meus propósitos, eis que um bom dia se me apresenta um companheiro chamado Eugenio Balanço, com o qual tinha pouca familiaridade e me pergunta:
—O que, decidiste ser franciscano?
Olhei-o maravilhado e lhe disse:
—Quem te há dito isso?
E me ensinando uma carta, replicou:
—Comunicam-me que lhe aguardam em Turim para render prova junto comigo, pois eu também decidi abraçar o estado religioso nesta Ordem.
Fui pois, ao Convento de Santa Maria dos Anjos, em Turim; fiz o exame e fui aceito a partir da metade de abril, ficando tudo preparado para ingressar no Convento de La Paz, de Chieri. "Mas pouco antes da data assinalada para meu ingresso em dito Convento, tive um sonho muito estranho".
E a seguir segue o relato do mesmo tal e como o consignamos anteriormente, traduzido das Memórias pessoais de Dom Bosco.
Os Pais Franciscanos conservam um certificado relacionado com este fato que diz assim:
"Anno 1834 receptus fuit in conventu S. Mariae Angelorum Ord. Reformat. S. Francisci, juvenis Joannes Bosco, ao Castronovo, natus die 17 augusti 1815, baptizatus, et confirmatus. Habet requisita et vota omnia.—Die 18 aprilis.
ex-livro II, in quo describuntur juvenes postulantes ad Ordinem acceptati et aprobati ab anno 1638 ad annum 1838. Pai Constantino da Valcamonica".
(M. B. Tomo I, págs. 301-302. —M. O. Década 1,14; págs. 79-81)
O sonho dos vinte e um anos — 1831
Até chegar ao sacerdócio, o clérigo Bosco estava acostumado a subir todos os dias à colina que dominava a vinha, propriedade do senhor Turco, passando muitas horas à sombra das árvores que a coroavam.
Em dito lugar se dedicava a estudar as matérias que não tinha podido ver durante o ano escolástico; especialmente a História do Antigo e do Novo Testamento do Calmet, a Geografia dos Santos Lugares e os rudimentos da língua hebréia, conseguindo notáveis conhecimentos sobre cada uma destas disciplinas.
Ainda no ano de 1884 se recordava dos estudos feitos sobre dita língua e assim o ouvimos em Roma, com grande estupor, discutir sobre esta matéria com um sacerdote professor de hebreu e falar sobre o valor gramatical e o significado de certas frases dos Profetas, confrontando vários textos paralelos de diversos livros da Bíblia. Ocupava-se também da tradução do Novo Testamento do grego e de preparar alguns sermões. Prevendo a necessidade que teria no futuro das línguas modernas, deu-se neste tempo ao estudo da língua francesa. Depois do latim e do italiano, professou uma predileção especial aos idiomas hebreu, grego e francês. Muitas vezes lhe ouvimos dizer:
—Meus estudos os fiz na vinha do José Turco, em Renenta.
E a finalidade que perseguia ao estudar, era fazer-se digno de sua vocação, capacitando-se para instruir e educar a juventude.
Com efeito, como um dia se aproximasse do José Turco, com o qual lhe unia uma estreita amizade, enquanto trabalhava na vinha, este começou a lhe dizer:
—Agora é clérigo e logo será sacerdote. Que fará então?
João lhe respondeu:
—Não sinto inclinação para o cargo de pároco ou de vigário-ajudante; em troca eu gostaria de congregar ao redor a muitos jovenzinhos abandonados para instruí-los e educá-los cristãmente.
Havendo-se encontrado outro dia com o mesmo, João lhe confiou que tinha tido um sonho no qual lhe indicava que ao correr dos anos se estabeleceria em certo lugar, onde recolheria um grande número de jovenzinhos para instruí-los e orientá-los pelo caminho da salvação. Nada disse do sítio que lhe tinha sido indicado, mas parece ser que aludisse a quanto contou pela primeira vez a seus filhos do Oratório no ano de 1858, entre os quais se achavam pressentem Cagliero, Rúa, Francesia e outros.
Pareceu-lhe ver o vale que se estendia ao pé da granja do Susambrino convertido em uma grande cidade, por cujas ruas e lugares discorriam grupos de moços alvoroçando, jogando e blasfemando.
Como sentia um grande horror à blasfêmia e estava dotado de um caráter um pouco vivo e impetuoso, aproximou-se daqueles moços lhes jogando em sua cara proceder e ameaçando passando aos fatos se não cessavam de proferir blasfêmias. E como em efeito, aqueles jovenzinhos prosseguissem em seus insultos contra Deus e contra a Muito santa Virgem, João começou a golpeá-los. Mais eles reagiram e jogando-se sobre ele o afligiram a pescoções e murros. João então se deu à fuga; mas ao ponto lhe saiu ao encontro um Personagem, que lhe intimou a que se detivesse, lhe ordenando que voltasse entre aqueles rapazes e lhes persuadisse de que fossem bons e evitassem o mal. Fez depois referência aos golpes que tinha recebido, objetando que se voltava entre aqueles moços talvez lhe acontecesse algo pior. Então o Personagem apresentou a uma nobilíssima Senhora, que naqueles momentos se aproximava para eles, e lhe disse:
—Esta é minha Mãe; aconselhe-se com Ela.
A Senhora, fixando nele um olhar cheia de bondade, falou-lhe assim:
—Se quer ganhar nesses jovens, não deve lhes fazer frente com os golpes, mas sim os tendes que tratar com doçura e tendes que usar da persuasão.
E então, como no primeiro sonho viu os jovens transformados em feras e depois em ovelhas e cordeiros, à frente dos quais se pôs como pastor por encargo daquela Senhora.
Este sonho teve lugar nas férias do 1838, quando João acabava de terminar o primeiro curso de Teologia; contava, pois, então Dom Bosco, vinte e um anos, por isso a este sonho se lhe conhece com o nome de "O sonho dos vinte e um anos", não sendo outra coisa que a confirmação de que tinha tido aos nove anos. lhe manifestando assim a Providência de uma maneira superabundante a finalidade e o caráter de sua futura missão.
Dom Lemoyne, depois de fazer o relato do sonho, acrescenta estas palavras: "Provavelmente foi nesta ocasião quando Dom Bosco viu o Oratório com todas suas dependências, preparadas para acolher a seus moços".
Em efeito: Dom Bosio, natural do Castagnole, pároco do Levone Canavés, companheiro de Dom Bosco no Seminário do Chieri, tendo visitado pela primeira vez o Oratório em 1890, ao chegar ao pátio central do Oratório e estando rodeado dos membros do Capítulo Superior da Pia Sociedade de São Francisco de Sai, girando a vista a seu redor e observando o conjunto dos edifícios, exclamou:
"De tudo isto que agora estou vendo, nada me resulta novo. Dom Bosco, quando estávamos no Seminário me descreveu isso tudo, como se estivesse vendo com seus próprios olhos quanto descrevia e como eu o estou vendo agora, comprovando ao mesmo tempo a exatidão de suas palavras". E ao dizer isto se sentiu presa de uma profunda emoção ao recordar ao companheiro e ao amigo.
Também o teólogo Cinzano assegurava a Dom Joaquín Berto e a outros sacerdotes, que o jovem Bosco lhe tinha assegurado, plenamente convencido disso, que no futuro teria ao seu dispor numerosos sacerdotes, clérigos, jovens estudantes e artesãos e uma formosa banda de música.
Hei aqui as palavras com que fecha Dom Lemoyne o Capítulo XLVII do primeiro volume das Memórias Biográficas:
"Ao chegar aqui não podemos ao menos jogar um olhar retrospectivo ao progressivo e racional acontecer-se dos vários e surpreendentes sonhos. Aos nove anos lhe dá a conhecer a grandiosa missão que lhe será confiada; aos dezesseis lhe prometem os meios materiais, indispensáveis para albergar e alimentar a inumeráveis jovenzinhos; aos dezenove, uma ordem imperiosa lhe faz saber que não é livre de aceitar ou rechaçar a missão que se o encomenda; aos vinte e um se lhe manifesta claramente a classe de jovens de cujo bem espiritual deverá cuidar-se; aos vinte e dois lhe assinala uma grande cidade, Turim, na qual deverá iniciar suas apostólicas tarefas e suas funções. Não finalizando aqui estas misteriosas indicações, mas sim continuarão de uma maneira intermitente até que a obra de Deus fique estabelecida".
(M. B. Tomo I. págs. 423-425)
Em dito lugar se dedicava a estudar as matérias que não tinha podido ver durante o ano escolástico; especialmente a História do Antigo e do Novo Testamento do Calmet, a Geografia dos Santos Lugares e os rudimentos da língua hebréia, conseguindo notáveis conhecimentos sobre cada uma destas disciplinas.
Ainda no ano de 1884 se recordava dos estudos feitos sobre dita língua e assim o ouvimos em Roma, com grande estupor, discutir sobre esta matéria com um sacerdote professor de hebreu e falar sobre o valor gramatical e o significado de certas frases dos Profetas, confrontando vários textos paralelos de diversos livros da Bíblia. Ocupava-se também da tradução do Novo Testamento do grego e de preparar alguns sermões. Prevendo a necessidade que teria no futuro das línguas modernas, deu-se neste tempo ao estudo da língua francesa. Depois do latim e do italiano, professou uma predileção especial aos idiomas hebreu, grego e francês. Muitas vezes lhe ouvimos dizer:
—Meus estudos os fiz na vinha do José Turco, em Renenta.
E a finalidade que perseguia ao estudar, era fazer-se digno de sua vocação, capacitando-se para instruir e educar a juventude.
Com efeito, como um dia se aproximasse do José Turco, com o qual lhe unia uma estreita amizade, enquanto trabalhava na vinha, este começou a lhe dizer:
—Agora é clérigo e logo será sacerdote. Que fará então?
João lhe respondeu:
—Não sinto inclinação para o cargo de pároco ou de vigário-ajudante; em troca eu gostaria de congregar ao redor a muitos jovenzinhos abandonados para instruí-los e educá-los cristãmente.
Havendo-se encontrado outro dia com o mesmo, João lhe confiou que tinha tido um sonho no qual lhe indicava que ao correr dos anos se estabeleceria em certo lugar, onde recolheria um grande número de jovenzinhos para instruí-los e orientá-los pelo caminho da salvação. Nada disse do sítio que lhe tinha sido indicado, mas parece ser que aludisse a quanto contou pela primeira vez a seus filhos do Oratório no ano de 1858, entre os quais se achavam pressentem Cagliero, Rúa, Francesia e outros.
Pareceu-lhe ver o vale que se estendia ao pé da granja do Susambrino convertido em uma grande cidade, por cujas ruas e lugares discorriam grupos de moços alvoroçando, jogando e blasfemando.
Como sentia um grande horror à blasfêmia e estava dotado de um caráter um pouco vivo e impetuoso, aproximou-se daqueles moços lhes jogando em sua cara proceder e ameaçando passando aos fatos se não cessavam de proferir blasfêmias. E como em efeito, aqueles jovenzinhos prosseguissem em seus insultos contra Deus e contra a Muito santa Virgem, João começou a golpeá-los. Mais eles reagiram e jogando-se sobre ele o afligiram a pescoções e murros. João então se deu à fuga; mas ao ponto lhe saiu ao encontro um Personagem, que lhe intimou a que se detivesse, lhe ordenando que voltasse entre aqueles rapazes e lhes persuadisse de que fossem bons e evitassem o mal. Fez depois referência aos golpes que tinha recebido, objetando que se voltava entre aqueles moços talvez lhe acontecesse algo pior. Então o Personagem apresentou a uma nobilíssima Senhora, que naqueles momentos se aproximava para eles, e lhe disse:
—Esta é minha Mãe; aconselhe-se com Ela.
A Senhora, fixando nele um olhar cheia de bondade, falou-lhe assim:
—Se quer ganhar nesses jovens, não deve lhes fazer frente com os golpes, mas sim os tendes que tratar com doçura e tendes que usar da persuasão.
E então, como no primeiro sonho viu os jovens transformados em feras e depois em ovelhas e cordeiros, à frente dos quais se pôs como pastor por encargo daquela Senhora.
Este sonho teve lugar nas férias do 1838, quando João acabava de terminar o primeiro curso de Teologia; contava, pois, então Dom Bosco, vinte e um anos, por isso a este sonho se lhe conhece com o nome de "O sonho dos vinte e um anos", não sendo outra coisa que a confirmação de que tinha tido aos nove anos. lhe manifestando assim a Providência de uma maneira superabundante a finalidade e o caráter de sua futura missão.
Dom Lemoyne, depois de fazer o relato do sonho, acrescenta estas palavras: "Provavelmente foi nesta ocasião quando Dom Bosco viu o Oratório com todas suas dependências, preparadas para acolher a seus moços".
Em efeito: Dom Bosio, natural do Castagnole, pároco do Levone Canavés, companheiro de Dom Bosco no Seminário do Chieri, tendo visitado pela primeira vez o Oratório em 1890, ao chegar ao pátio central do Oratório e estando rodeado dos membros do Capítulo Superior da Pia Sociedade de São Francisco de Sai, girando a vista a seu redor e observando o conjunto dos edifícios, exclamou:
"De tudo isto que agora estou vendo, nada me resulta novo. Dom Bosco, quando estávamos no Seminário me descreveu isso tudo, como se estivesse vendo com seus próprios olhos quanto descrevia e como eu o estou vendo agora, comprovando ao mesmo tempo a exatidão de suas palavras". E ao dizer isto se sentiu presa de uma profunda emoção ao recordar ao companheiro e ao amigo.
Também o teólogo Cinzano assegurava a Dom Joaquín Berto e a outros sacerdotes, que o jovem Bosco lhe tinha assegurado, plenamente convencido disso, que no futuro teria ao seu dispor numerosos sacerdotes, clérigos, jovens estudantes e artesãos e uma formosa banda de música.
Hei aqui as palavras com que fecha Dom Lemoyne o Capítulo XLVII do primeiro volume das Memórias Biográficas:
"Ao chegar aqui não podemos ao menos jogar um olhar retrospectivo ao progressivo e racional acontecer-se dos vários e surpreendentes sonhos. Aos nove anos lhe dá a conhecer a grandiosa missão que lhe será confiada; aos dezesseis lhe prometem os meios materiais, indispensáveis para albergar e alimentar a inumeráveis jovenzinhos; aos dezenove, uma ordem imperiosa lhe faz saber que não é livre de aceitar ou rechaçar a missão que se o encomenda; aos vinte e um se lhe manifesta claramente a classe de jovens de cujo bem espiritual deverá cuidar-se; aos vinte e dois lhe assinala uma grande cidade, Turim, na qual deverá iniciar suas apostólicas tarefas e suas funções. Não finalizando aqui estas misteriosas indicações, mas sim continuarão de uma maneira intermitente até que a obra de Deus fique estabelecida".
(M. B. Tomo I. págs. 423-425)
Sacerdote e alfaiate — 1836
Enquanto se entregava ao exercício das mais sólidas virtudes e aos estudos da filosofia, João sentia crescer sempre mais e mais em seu coração o desejo de dedicar-se a quão jovens iam a seu redor para aprender o Catecismo e exercitar-se na oração; aproveitando para isso as ocasiões em que os superiores o enviavam à Catedral para intervir nas funções religiosas.
A divina bondade, que tinha os olhos postos nele com amorosos intuitos, começou a lhe manifestar em forma mais detalhada o gênero de apostolado que tinha que exercer em meio da juventude.
Assim ou fez saber ele mesmo no Oratório, em forma reservada, a alguns dos seus, entre os que se encontravam Dom João Turchi e Dom Domingo Ruffino.
—Quem ia imaginar —dizia— a maneira como me vi quando estudava o primeiro curso de filosofia?
E um dos pressente lhe perguntou:
—Onde, em sonho ou na realidade?
—Isso não vem ao caso —replicou Dom Bosco.
O certo é que me vi já sacerdote, com roquete e estola e que assim revestido trabalhava em uma oficina de alfaiataria; mas, não fazendo trajes novos, a não ser cerzindo algumas roupas muito deterioradas e unindo entre si uma grande quantidade de pequenas peças de pano. Naquele momento não pude compreender o significado de todo aquilo que tinha visto, até que sendo já sacerdote o contei a meu conselheiro Dom Cafasso.
Este sonho —escreve Dom Lemoyne— ficou indelével na mente de Dom Bosco. Com ele lhe quis significar que sua missão não se limitaria simplesmente a selecionar jovens virtuosos lhes ajudando a conservar-se na virtude, mas sim também teria que reunir a seu redor a outros jovens desencaminhados e ameaçados pelos perigos do mundo, os quais, mercê a seus cuidados se permutariam em bons cristãos, cooperando eles, depois, na reforma da sociedade.
(M. B. Tomo I, págs. 381-382)
A divina bondade, que tinha os olhos postos nele com amorosos intuitos, começou a lhe manifestar em forma mais detalhada o gênero de apostolado que tinha que exercer em meio da juventude.
Assim ou fez saber ele mesmo no Oratório, em forma reservada, a alguns dos seus, entre os que se encontravam Dom João Turchi e Dom Domingo Ruffino.
—Quem ia imaginar —dizia— a maneira como me vi quando estudava o primeiro curso de filosofia?
E um dos pressente lhe perguntou:
—Onde, em sonho ou na realidade?
—Isso não vem ao caso —replicou Dom Bosco.
O certo é que me vi já sacerdote, com roquete e estola e que assim revestido trabalhava em uma oficina de alfaiataria; mas, não fazendo trajes novos, a não ser cerzindo algumas roupas muito deterioradas e unindo entre si uma grande quantidade de pequenas peças de pano. Naquele momento não pude compreender o significado de todo aquilo que tinha visto, até que sendo já sacerdote o contei a meu conselheiro Dom Cafasso.
Este sonho —escreve Dom Lemoyne— ficou indelével na mente de Dom Bosco. Com ele lhe quis significar que sua missão não se limitaria simplesmente a selecionar jovens virtuosos lhes ajudando a conservar-se na virtude, mas sim também teria que reunir a seu redor a outros jovens desencaminhados e ameaçados pelos perigos do mundo, os quais, mercê a seus cuidados se permutariam em bons cristãos, cooperando eles, depois, na reforma da sociedade.
(M. B. Tomo I, págs. 381-382)
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